quarta-feira, 25 de março de 2009

Colectânea de textos - Preparado por Adulto/Candidato – cont@cto

Sabendo que por vezes, os formandos não conseguem ligação à internet para uma pesquisa exaustiva, publicamos a lista de textos que recolhemos e que nos parecem pertinentes para reflexão mais profunda sobre os temas seleccionados nas vossas propostas de trabalho.




Núcleo Gerador 1 - Direitos e Deveres

Liberdade e Responsabilidade Pessoal (DR1)

Reconhecer constrangimentos e espaços de liberdade pessoal.


1. Sou capaz de identificar situações de autonomia e responsabilidade compartilhadas, isto é, de identificar os meus direitos e deveres em contexto privado (família, amigos, vizinhos econdomínio).


2. Sou capaz de compreender que a construção do bem-comum se faz muitas vezes em detrimento domeu bem-individual?

3. Sou capaz de explorar exemplos de liberdade e responsabilidade pessoal?



Obra:Carta dos Direitos da FamíliaPode ser lida aqui:




Texto Nº 1


A liberdade é um requisito da forma de governo que respeita os direitos, as liberdades e asgarantias individuais, através da limitação do poder governamental.
Cada um é responsável por todos. Cada um é o único responsável. Cada um é o único responsávelpor todos.
Somos totalmente responsáveis pela qualidade da nossa vida e pelo efeito exercido sobre os outros,construtivo ou destrutivo, quer pelo exemplo quer pela influência directa. Não fazemos o que queremos e,no entanto, somos responsáveis pelo que somos: eis a verdade.
O conhecimento é pois um bem individual ao serviço do bem comum. Sendo um bem, está tambémsujeito a desvalorização, sempre que o seu possuidor não o actualizar ou deixar de constituir base geradorade maior conhecimento. A evolução obriga, assim, ao desenvolvimento de processos criadores. A inovaçãocontinuada é a fonte do progresso individual e colectivo.
Bem comum é um imenso conjunto de bens materiais e espirituais que formam o património de umasociedade. Por exemplo, a geografia e as paisagens de um país, as águas e riquezas naturais, o seu nível devida, capacidade de produção, infra-estruturas de transportes e comunicações, edifícios, sistema deeducação e de saúde, património artístico ente outros.



Texto Nº2

http://rotasfilosoficas.blogs.sapo.pt/15213.html
Liberdade e responsabilidade
Do que se trata é de levarmos a sério a liberdade, ou seja, de sermos responsáveis. O que há de sério na liberdade é que ela tem efeitos indubitáveis, que não se podem apagar quando isso nos convém, uma vez que tenham sido produzidos. Sou livre de comer ou não comer o pastel que tenho à minha frente; mas, depois de o ter comido, já não sou livre de o ter à minha frente ou não. Dou-te outro exemplo, desta vez de Aristóteles (já sabes, esse velho grego que falava do barco e da tempestade): se tiver uma pedra na mão, sou livre de ficar com ela ou de a deitar fora, mas se a atirar para longe já não poderei ordenar-lhe que volte para que eu continue com ela na mão. O que há de sério na liberdade é que cada acto livre que faço limita as minhas possibilidades quando escolho realizar uma delas. E não vale fazer batota e esperar para ver se o resultado é bom ou mau, antes de assumir se sou ou não responsável por ele. Desse modo, talvez seja possível enganar um observador exterior, como pretende a criança que diz "não fui eu!", mas a nós próprios nunca nos podemos enganar por completo.
De maneira que aquilo a que chamamos "remorso" não é mais do que o descontentamento que sentimos connosco quando empregámos mal a nossa liberdade, quer dizer, quando a utilizámos em contradição com o que deveras queremos como seres livres, para o bem e para o mal: assumirmos as consequências do que fizemos, emendar o mal que possamos emendar e aproveitarmos o bem ao máximo. Ao contrário da criança malcriada e cobarde, o indivíduo responsável está sempre pronto a responder pelos seus actos: "Sim, fui eu". O mundo que nos rodeia, se reparares, está cheio de ocasiões que podem servir ao sujeito para se desfazer da sua responsabilidade. A culpa do mal que sucede parece ser das circunstâncias, da
sociedade em que vivemos, do sistema capitalista, do carácter que tenho (sou assim!), de não ter sido bem educado (ou me terem mimado em excesso), dos anúncios da televisão, das tentações que se oferecem nos escaparates, dos exemplos irresistíveis e perniciosos... Acabo de empregar a palavra-chave destas justificações: irresistível. Todos os que querem demitir-se das suas responsabilidades acreditam no irresistível, naquilo que subjuga sem remédio, seja a propaganda, a droga, o apetite, o suborno, a ameaça, a maneira de ser... qualquer coisa serve.


Savater, Fernando, Ética para um Jovem, Lisboa, Editorial Presença, 1997, p. 75.

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